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Bendita gripe - A narrativa dos contos de Andersen e a autobiografia de Shirley MacLaine

A literatura permite que o leitor faça seus cruzamentos e inferências. Estando em casa e bem gripada, me pus a ler e assistir a filmes. Lendo os contos de Andersen (1908 – 1875), não somente para trazê-los aqui, mas para relembrar as histórias que fizeram parte da minha infância e reassistindo ao filme “Minhas vidas”, uma autobiografia de Shirley MacLaine, fiquei bem tocada e com vontade de me aprofundar em questões relativas à espiritualidade e ao sentido da vida. Inclusive, hoje, no café da manhã, conversei tranquilamente a respeito desses temas que me causam indagações e perplexidade diante do não saber. Penso que, em algum momento da nossa existência, nos deparamos com reflexões místicas e transcendentes à vida. É saudável ir além da materialidade do quotidiano para que possamos pentear, ou melhor, desembaraçar os fios da nossa alma. Incrivelmente, penteando suavemente meus fios, encontrei pontos nessas obras que poderia relacionar.  A literatura infantil abre s...
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Noite de autógrafos

  ─ Olha lá! Olha lá! Será que é ele mesmo, Astrênio? ─ É ele sim, Dalvinéia! Ele já tá até rascunhando as dedicatórias! ─ Ainda bem que a gente chegou na frente… Meio cedo, mas também assim a gente evita a filona que vai ter daqui a pouco. ─ É, esse prédio tem entrada, porta e escada pra tudo quanto é lado. Se a gente não chega cedo, ia mais era se perder. Capaz que nem chegasse a tempo. ─ Ainda bem que a gente comprou o livro antes. Vamos lá, aproveita que ele tá sozinho. ─ Com licença… Boa noite, professor. A gente já trouxe o livro, professor. ─ O livro? Ah, já sei… ─ A gente queria, professor, que o senhor fizesse uma dedicatória bonita… Nós somos seus fãs de carteirinha. ─ Ah, sim! Pois então… ─ Nada de modéstia, professor. O senhor acredita que minha cunhada Marilice engravidou lendo seu livro “Como ser feliz no casamento apesar do marido”? Deu certinho! Antes da página quarenta ela já tava de barriga! ─ Astrênio, fala pra ele daquele teu ami...

A primeira vez em que eu quase morri

    “ Deus não pode estar em todos os lugares e por isso fez as mães.” Ditado judaico Uma experiência de quase morte não é algo muito fácil de esquecer, sobretudo quando se tem 16 anos. Nessa época, eu era um rapaz latino-americano, franzino e com algumas espinhas na testa. É verdade, era mais do que eu desejava, se é que alguém deseja ter espinhas. Eu era o típico adolescente: cheio de sonhos, impulsivo e medroso. Mais medroso que impulsivo, aliás. Então, no verão de 1998, um tio – que era sócio de um clube na cidade – teve a brilhante ideia de levar minha família à piscina do dito cujo. Havia uma espécie de comemoração, e um amigo dele animava a festa tocando um teclado. Foi um evento bacana. Eu, mesmo medroso – e sem saber nadar – entrei na piscina e ensaiei algumas braçadas, perto da borda esquerda (que eu não sou bobo, nem nada, não é mesmo?). Braçada daqui, braçada de lá, resolvi fazer a travessia, chegando onde não era possível apoiar os pés. Já próximo ao fim do t...

Nova edição da Feira de Livros chega a Nova Friburgo com centenas de exemplares a preços acessíveis

Tradicional evento itinerante ocupa a Praça Getúlio Vargas até o próximo mês, oferecendo opções para todas as idades com foco na democratização da leitura. Foto: Reprodução/Portal Multiplix   Nova Friburgo recebe edição da Feira de Livros na Praça Getúlio Vargas, no Centro. O evento itinerante, que permanece na cidade por um período de vinte a trinta dias, reúne um acervo de mais de 10 mil exemplares novos e seminovos, conforme edições anteriores, com preços a partir de R$ 2. Considerada uma excelente alternativa para suprir a carência de livrarias locais, a feira traz opções que vão desde lançamentos do mercado editorial até grandes clássicos da literatura mundial e nacional, como obras de Clarice Lispector, Graciliano Ramos e William Shakespeare. Realizada tradicionalmente duas vezes ao ano, a mostra já se consolidou no calendário cultural do município. O atendimento ocorre diariamente, das 9h às 20h, facilitando o acesso de leitores de todas as idades — de crianças a idosos. Par...

Deus e o Deus de cada um

  Cada pessoa tem um modo de perceber e sentir peculiar, dependendo do seu estado de humor ou espiritual. Por que não mergulhar no modo poético para viver a rotina diária? Ah!, não é loucura nem alienação ter um olhar aveludado. Noutro dia, escutei de uma amiga, poeta, que ela costumava declamar poemas para os passarinhos que pousavam em sua janela. Eu já me encantei com uma borboleta que pousou na janela, sem se assustar com a minha presença. Como eu me sentia triste naquela tarde, com saudade de alguém que partira para o universo, tive a impressão de que ela fosse um anjo que estivesse ali para me acalentar. Como é bom acordar, tomar o café da manhã, escutando as composições de Bach, por serem poesias melódicas e terem espiritualidade, especialmente a Orchestral Suíte Nº 3. São músicas que estimulam uma pessoa a viver com paz e equilíbrio, além de embelezar os momentos iniciais do dia. Momentos que interferem no modo como vamos gerenciar as situações que vão surgir pelas energias...