A literatura permite que o leitor faça seus cruzamentos e inferências. Estando em casa e bem gripada, me pus a ler e assistir a filmes. Lendo os contos de Andersen (1908 – 1875), não somente para trazê-los aqui, mas para relembrar as histórias que fizeram parte da minha infância e reassistindo ao filme “Minhas vidas”, uma autobiografia de Shirley MacLaine, fiquei bem tocada e com vontade de me aprofundar em questões relativas à espiritualidade e ao sentido da vida. Inclusive, hoje, no café da manhã, conversei tranquilamente a respeito desses temas que me causam indagações e perplexidade diante do não saber. Penso que, em algum momento da nossa existência, nos deparamos com reflexões místicas e transcendentes à vida. É saudável ir além da materialidade do quotidiano para que possamos pentear, ou melhor, desembaraçar os fios da nossa alma. Incrivelmente, penteando suavemente meus fios, encontrei pontos nessas obras que poderia relacionar. A literatura infantil abre s...
─ Olha lá! Olha lá! Será que é ele mesmo, Astrênio? ─ É ele sim, Dalvinéia! Ele já tá até rascunhando as dedicatórias! ─ Ainda bem que a gente chegou na frente… Meio cedo, mas também assim a gente evita a filona que vai ter daqui a pouco. ─ É, esse prédio tem entrada, porta e escada pra tudo quanto é lado. Se a gente não chega cedo, ia mais era se perder. Capaz que nem chegasse a tempo. ─ Ainda bem que a gente comprou o livro antes. Vamos lá, aproveita que ele tá sozinho. ─ Com licença… Boa noite, professor. A gente já trouxe o livro, professor. ─ O livro? Ah, já sei… ─ A gente queria, professor, que o senhor fizesse uma dedicatória bonita… Nós somos seus fãs de carteirinha. ─ Ah, sim! Pois então… ─ Nada de modéstia, professor. O senhor acredita que minha cunhada Marilice engravidou lendo seu livro “Como ser feliz no casamento apesar do marido”? Deu certinho! Antes da página quarenta ela já tava de barriga! ─ Astrênio, fala pra ele daquele teu ami...